JORNAL CONTATO

CÉLIO MENEZES NO JORNAL CONTATO EM 1960

O PRIMEIRO TELEJORNAL E UMA DAS MAIORES TRADIÇÕES DA REDE CONTATO

25 de abril de 1960.
A Rede Contato entrava no ar pela primeira vez.
Naquela noite histórica, antes mesmo de o público conhecer muitos dos programas que ajudariam a construir a identidade da emissora, coube ao jornalismo abrir uma das páginas mais importantes de sua trajetória.
E foi assim que nasceu o Jornal Contato.
O telejornal foi o primeiro programa exibido pela Rede Contato na noite de sua estreia, em 25 de abril de 1960.
Desde então, passou a ocupar, de segunda a sábado, o horário das 20 horas, tornando-se o telejornal mais antigo da emissora e uma presença constante na vida dos telespectadores.

Na bancada daquela primeira edição estava Célio Menezes, então com 35 anos.
Até aquele momento, sua voz já era conhecida pelo público.
Célio era um dos famosos locutores da Rádio Contato, mas a televisão proporcionaria uma novidade curiosa:
pela primeira vez, milhares de pessoas poderiam associar aquele rosto à voz que já fazia parte do cotidiano dos ouvintes.
Sua estreia despertou enorme curiosidade entre o público e ajudou a transformar rapidamente o jornalista em um dos primeiros grandes rostos da televisão da Rede Contato.

DO PAPEL PARA A TELEVISÃO
O nascimento do Jornal Contato também representava uma nova etapa para uma marca jornalística que já possuía tradição.
O telejornal tinha o compromisso de levar para a televisão o conteúdo do Jornal Contato, periódico impresso diariamente desde 1923.
A ideia era clara: unir a credibilidade construída pelo jornal à força e à novidade da imagem televisiva.
Nos primeiros anos, fazer televisão era uma verdadeira aventura.
As redações ainda viviam uma rotina muito diferente da que o público conheceria décadas depois.
Não havia a velocidade tecnológica que se tornaria comum no futuro.
Muitas informações chegavam por telefone, rádio e agências de notícias.
Repórteres e produtores precisavam correr contra o relógio para transformar os acontecimentos do dia em textos que pudessem ser apresentados diante das câmeras.
Quando havia imagens externas, o trabalho era ainda mais complicado.
Filmes precisavam chegar à emissora, ser preparados e organizados a tempo da transmissão.
Uma notícia importante surgida pouco antes do horário do programa podia provocar uma verdadeira correria nos bastidores.
E, enquanto tudo acontecia atrás das câmeras, Célio Menezes precisava transmitir ao público uma sensação de absoluta tranquilidade.
Essa passou a ser uma das marcas do Jornal Contato.
A notícia podia estar chegando no último minuto.
A redação podia estar em agitação.
Mas, às oito da noite, a câmera se acendia.
E Célio estava lá.

CÉLIO MENEZES, A PRIMEIRA GRANDE VOZ DO JORNALISMO DA REDE CONTATO
Durante seus primeiros anos, o Jornal Contato esteve profundamente ligado à imagem de Célio Menezes.
Seu estilo era sóbrio, elegante e direto.
Não precisava de grandes gestos.
Sua presença diante das câmeras transmitia segurança.
Célio pertencia a uma geração de profissionais que compreendia o telejornal como um compromisso diário com o público.
Para ele, apresentar as notícias significava muito mais do que simplesmente ler informações.
Era preciso explicar. Organizar os acontecimentos.
Dar ao telespectador a sensação de que, ao final daquele programa, ele compreenderia melhor o mundo ao seu redor.
A cada noite, o Jornal Contato levava ao público notícias nacionais e internacionais, acontecimentos políticos, fatos policiais, cultura, religião e os principais assuntos que movimentavam o país e o mundo.
Pouco a pouco, o programa deixou de ser apenas mais uma atração da programação.
Transformou-se em um hábito.
Em muitas casas, o horário das 20 horas passou a ser o momento de acompanhar o que havia acontecido naquele dia.

CÉLIO MENEZES E ROBERTO DELFINO NO JORNAL CONTATO EM 1975

A CHEGADA DE ROBERTO DELFINO

Em abril de 1967, o Jornal Contato entrou em uma nova fase.
Depois de sete anos apresentando o telejornal sozinho, Célio Menezes ganhou um parceiro na bancada.
Seu nome era Roberto Delfino.
Aos 41 anos, Roberto chegou ao principal telejornal da Rede Contato vindo do Jornal Vespertino, telejornal exibido à tarde pela emissora.
A partir daquele momento, o Jornal Contato passou a contar com uma dupla de âncoras.
A mudança foi um sucesso.
Célio trazia consigo toda a história do programa e a confiança conquistada desde a estreia.
Roberto chegava com uma nova presença, experiência e personalidade própria.
Os dois não precisavam disputar espaço.
Pelo contrário.
A força da dupla estava justamente na maneira como se completavam.
Célio representava a tradição.
Roberto simbolizava uma nova geração dentro daquele mesmo jornalismo.
E juntos construíram uma das parcerias mais duradouras e respeitadas da história da televisão da Rede Contato.

ENTRE A NOTÍCIA E O PERIGO
Mas os anos seguintes transformariam o trabalho dos dois em algo muito maior — e muito mais perigoso.
Durante o regime militar, a Rede Contato assumiu uma posição contrária ao regime.
O Jornal Contato passou a ser um dos espaços em que a emissora procurava demonstrar essa oposição, muitas vezes utilizando mensagens, escolhas de pautas e críticas apresentadas nas entrelinhas.
Era um período em que cada palavra precisava ser cuidadosamente pensada.
Nem sempre era possível dizer tudo.
Por isso, o silêncio podia significar alguma coisa.
Uma pergunta podia dizer mais do que uma resposta.
A escolha de uma reportagem, a maneira de apresentar um determinado fato ou a insistência em determinado assunto podiam carregar mensagens que o público mais atento aprendia a perceber.
O Jornal Contato transformou a inteligência editorial em uma de suas armas.
Célio Menezes e Roberto Delfino sabiam que estavam diante de uma situação delicada.
Em diversas ocasiões, episódios envolvendo o conteúdo apresentado pelo telejornal quase renderam à dupla a indesejada visita dos militares.
Nos bastidores, havia tensão.
Na bancada, porém, permanecia a serenidade.
Era preciso continuar.
No horário marcado, as câmeras entravam no ar.
E os dois estavam novamente diante do Brasil.

AS GRANDES DÉCADAS DO JORNAL CONTATO
Nas décadas de 1970 e 1980, o Jornal Contato consolidou-se definitivamente como uma das grandes referências da Rede Contato.
O mundo estava mudando.
E o telejornal procurava acompanhar cada transformação.
Política.
Economia.
Grandes crimes.
Religião.
Cultura.
Arte.
Esporte
Copa do Mundo
Acontecimentos internacionais.
O Jornal Contato tornou-se palco para reportagens especiais e grandes coberturas sobre os acontecimentos que marcaram diferentes períodos da história.
Ao longo dessas décadas, a tecnologia também foi transformando a maneira de fazer jornalismo.
As imagens ganharam cada vez mais espaço.
As reportagens externas se tornaram mais elaboradas.
As transmissões passaram a permitir uma aproximação maior entre os acontecimentos e o telespectador.
Mas, mesmo diante das mudanças, algo permanecia.
A bancada.
E nela, dois rostos.
Célio Menezes e Roberto Delfino.
Para diferentes gerações de telespectadores, o Jornal Contato era praticamente sinônimo dos dois.
Eles acompanharam mudanças no país, grandes acontecimentos, períodos de tensão e transformação.
Estavam ali quando a notícia era boa.
Quando era trágica.
Quando o país comemorava.
E quando precisava parar para refletir.

CÉLIO MENEZES E ROBERTO DELFINO NO JORNAL CONTATO EM 1987

UMA DUPLA INSUBSTITUÍVEL

Ao longo de sua história, o Jornal Contato teria vários âncoras depois da era Célio e Roberto — nomes que ajudariam a escrever outros capítulos do telejornal e que merecerão, claro, uma matéria especial.
Mas havia algo impossível de apagar.
A primeira grande era do Jornal Contato. Célio Menezes e Roberto Delfino permaneceram como âncoras do programa até abril de 1988.
Foram 28 anos de Célio Menezes no telejornal desde sua estreia em 1960.
E 21 anos da dupla formada por Célio e Roberto, desde a chegada do segundo âncora, em 1967.
Mais do que apresentadores, eles se tornaram símbolos de uma época.
A despedida, em abril de 1988, encerrava um dos capítulos mais importantes da história da Rede Contato.
Não era apenas uma mudança de apresentadores.
Era o fim de uma era.
Para o telespectador que acompanhara o programa durante décadas, seria difícil imaginar a bancada sem Célio e Roberto.
Mas o Jornal Contato precisava continuar.
Porque os tempos mudavam.
As notícias continuavam chegando.
E uma nova geração estava pronta para assumir aquela responsabilidade.

O JORNAL CONTATO CONTINUA
Desde sua estreia, na primeira noite da Rede Contato, em 25 de abril de 1960, o Jornal Contato carregou uma responsabilidade especial:
informar o público e registrar diariamente os acontecimentos de seu tempo.
Décadas depois, muita coisa mudaria.
Novos âncoras.
Novos cenários.
Novas tecnologias.
Novas formas de transmitir uma notícia.
Mas a essência continuaria a mesma.
Aquela que nasceu quando uma câmera se acendeu pela primeira vez…
Quando Célio Menezes olhou para os telespectadores…
E a Rede Contato apresentou ao Brasil a sua primeira grande tradição jornalística.

JORNAL CONTATO
Desde 1960, porque a história não para… e a notícia também não.