SURPREENDENTE

Marcela Alcoforado e Ted Brennnad, apresentadores do Surpreendente em 1972.

Há mais de cinco décadas, o domingo da Rede Contato termina de um jeito: com uma boa dose de informação, emoção e… surpresa!

Poucos programas conseguiram atravessar tantas décadas mantendo a capacidade de surpreender o público. SURPREENDENTE — A SUA REVISTA ELETRÔNICA nasceu em 16 de abril de 1972, pelas mãos do comunicador e colunista social Ted Brennand, então com apenas 32 anos, e rapidamente se transformou em um dos programas mais tradicionais da Rede Contato.
A proposta era ousada para a época: reunir, em uma única atração, jornalismo, entretenimento, esportes, música, shows, comportamento e tudo aquilo que pudesse despertar a curiosidade do telespectador.
Mas o nome não era apenas um título.
Era uma promessa.
E o Surpreendente fazia questão de cumpri-la.

Surpreendente, primeira abertura em 1972.

Silvia Voraz e Ted Brennand, apresentadores do Surpreendente em 1975.

O programa que nunca teve medo de ousar
Durante os anos 1970, a atração ganhou enorme popularidade com matérias consideradas, para muitos telespectadores, absurdas, inacreditáveis e até mentirosas.
Eram histórias incomuns, fenômenos curiosos, personagens excêntricos e acontecimentos que pareciam ter saído de um filme.
A repercussão foi tamanha que o público passou a brincar:
“Se deu no Surpreendente, pode acreditar… ou não!”

A cidade subterrânea, 1972.

Entre as reportagens mais lembradas daquela fase estão histórias como a do homem que afirmava ter encontrado uma cidade subterrânea no interior do Brasil, a suposta casa onde todos os relógios paravam exatamente à meia-noite e a famosa matéria sobre uma mulher que dizia conversar com pássaros.

A mulher que conversava com os pássaros, 1981.

Verdade? Lenda? Exagero?
O Surpreendente nunca entregava tudo de bandeja.
E era justamente aí que estava a graça.

Ted Brennand e Gerlane Albuquerque, apresentadores do Surpreendente em 1979.

Ted Brennand e as grandes parceiras

Ted Brennand permaneceu à frente da revista por 20 anos consecutivos, tornando-se o rosto mais associado à história do programa. Ao longo das décadas, entretanto, a bancada recebeu algumas das mais conhecidas repórteres e comunicadoras da Rede Contato.

Marcela Alcoforado foi a primeira parceira, permanecendo até 1975. Depois vieram nomes como Silvia Voraz, Gerlane Albuquerque, Jana Calábria, Raquel Malaquias, Rosália Belmont, Ametista Gonçalves, Solange Benevides, Clara Paranhos, Bernadete Pascoal, Magda Menezes, Gilda Avelar, Priscila Noronha e Clébia Macedo.

Em 1992, uma nova dupla assumiu a apresentação: Clóvis Saldanha e Gina Bragança, que permaneceram até 1995. Depois disso, o programa passou a adotar diferentes formações de apresentadores, mantendo uma característica que se tornou sua marca: a participação constante de atores, jornalistas e artistas da Rede Contato.

Ametista Gonçalves e Ted Brennand, apresentadores do Surpreendente em 1982.

A fábrica de talentos do Surpreendente

Outra tradição que marcou profundamente o programa nasceu ainda em seus primeiros anos.
Por meio da Fundação Contato, o Surpreendente passou a manter uma companhia de balé formada principalmente por crianças e adolescentes de famílias de baixa renda.

Balé de 1972.

A cada ano, uma nova turma era selecionada e preparada pela renomada bailarina Diva Montes.
Os jovens apresentavam uma nova coreografia especialmente criada para a abertura do programa.

Balé de 1983.

A iniciativa acabou revelando diversos talentos.
A companhia recebeu o nome de Companhia Jovem Contato, e muitos de seus integrantes posteriormente construíram carreiras na dança, na televisão e no teatro.
Alguns deles, como Renato Valença, Patrícia Dourado, Marcelo Vilar e Bianca Fontes, tornaram-se nomes conhecidos do público.
Era mais do que uma abertura de televisão.
Era uma porta de entrada para a vida artística.

Balé de 1987.

Uma abertura que virou tradição
A música de abertura do Surpreendente também se tornou parte da memória afetiva dos telespectadores.
Ao longo das décadas, o tema recebeu diferentes arranjos e atualizações, acompanhando a evolução tecnológica e estética da televisão, mas preservando sua identidade original.
Cada nova geração de bailarinos da Companhia Jovem Contato trazia consigo uma nova coreografia, novos figurinos e uma nova versão visual da abertura.
Assim, o público sabia:
quando aquela música começava, o domingo estava chegando ao fim.

HOMEM SURPREENDENTE

O verão revela novos talentos!
Em 1985, o Surpreendente lançou um dos quadros mais comentados de sua história: Homem Surpreendente.
A proposta era simples — e justamente por isso irresistível.
Durante os meses de janeiro a março, o programa deixava os estúdios da Rede Contato e levava suas câmeras para diferentes praias do litoral brasileiro. O quadro foi gravado em praias do Nordeste e do Sul do Brasil, aproveitando cenários naturais, sol, mar e o clima descontraído do verão.
Os candidatos tinham entre 18 e 23 anos e se inscreviam anonimamente. Não havia, inicialmente, celebridade, modelo ou artista conhecido: eram jovens comuns que desejavam ter uma oportunidade na televisão.
E havia uma regra fundamental:
eles precisavam apresentar um talento.
E talento, ali, podia significar praticamente qualquer coisa.
Um candidato podia cantar, dançar, fazer imitações, tocar um instrumento, praticar algum esporte, fazer acrobacias, contar histórias, interpretar, fazer humor ou apresentar alguma habilidade completamente inesperada.
Era justamente o elemento surpresa que dava nome ao quadro.

O cenário era a própria praia
Cada edição era gravada em uma praia diferente.
A produção montava uma pequena estrutura próxima à areia, com equipamentos de televisão, iluminação, microfones e uma área reservada para os candidatos. O mar servia como pano de fundo para as apresentações.
Os jovens apareciam usando sunga, dentro do padrão visual do quadro, que valorizava a estética ensolarada e descontraída do verão de 1980.
A produção, porém, procurava manter o foco no talento.
A aparência chamava atenção, naturalmente, mas era a habilidade apresentada que determinava o resultado.
E isso acabou criando uma característica curiosa do Homem Surpreendente: o público começava a acompanhar os candidatos não apenas pela beleza, mas pela expectativa de descobrir “o que aquele rapaz sabe fazer?”.

Homem Surpreendente, praia de Boa Viagem, Recife; temporada 1988.

A competição
Depois das apresentações, um júri escolhido pela produção avaliava cada candidato.
Os critérios incluíam:
talento;
criatividade;
presença de palco;
originalidade;
capacidade de comunicação;
e, principalmente, o fator surpresa.

A cada semana, alguns candidatos eram eliminados até chegar à grande final da temporada.E o prêmio era extraordinário para a época:
Uma viagem para a Europa, com tudo pago pela produção da Rede Contato
Um automóvel zero-quilômetro
Além dos prêmios, o vencedor recebia algo que muitas vezes acabava sendo ainda mais importante:
Uma porta aberta para a televisão.

O verdadeiro fenômeno
Com o passar dos anos, uma coisa inesperada aconteceu.
Alguns participantes que não venceram o concurso começaram a ser procurados pela própria Rede Contato.
Produtores perceberam que determinados candidatos tinham carisma diante das câmeras, mesmo quando seu talento original era completamente diferente.
E assim, o Homem Surpreendente acabou funcionando, involuntariamente, como uma espécie de descoberta de novos talentos da emissora.
Alguns participantes posteriormente tornaram-se:
Atores de novelas e programas da Rede Contato;
Modelos;
Cantores;
Apresentadores;
Artistas e integrantes de produções musicais.
Alguns chegaram a fazer carreira nacional.
Por isso, anos depois, era comum uma entrevista começar com:
“Antes de ser artista da Rede Contato, ele participou do Homem Surpreendente.”

Homem Surpreendente, temporada 1992.

Nordeste e Sul
A produção também aproveitava o quadro para mostrar diferentes paisagens brasileiras.
No Nordeste, as gravações exploravam praias ensolaradas, coqueiros, falésias e águas cristalinas.
No Sul, o visual mudava completamente: praias mais extensas, temperaturas diferentes e uma atmosfera característica do litoral sulista.
Essa alternância acabou dando ao quadro uma identidade própria.
O público nunca sabia exatamente onde seria a próxima edição.
E isso ajudava a manter a curiosidade.

De 1985 a 1992
O Homem Surpreendente permaneceu no ar durante oito temporadas de verão, sempre entre janeiro e março.
Ao longo dos anos, a produção foi ficando cada vez maior.
O quadro ganhou mais candidatos, equipes externas maiores, novas cidades e uma cobertura mais sofisticada.
Mas uma coisa permaneceu:
Jovens desconhecidos chegando diante das câmeras para tentar provar que tinham algo especial.
Em 1992, depois de sete anos de sucesso, o quadro foi encerrado.
A despedida teve um tom especial.
Em vez de simplesmente anunciar o fim, o Surpreendente relembrou alguns dos candidatos que haviam passado pelo quadro e mostrado onde suas vidas haviam chegado depois daquela primeira aparição na televisão.
E o resultado era impressionante:
Muitos daqueles jovens que chegaram à praia como completos desconhecidos haviam construído carreiras no mundo artístico.
O quadro, portanto, terminou deixando uma espécie de legado:
O Homem Surpreendente não procurava homens famosos.
Procurava homens que ainda não sabiam que poderiam se tornar famosos.
E talvez seja justamente por isso que o quadro tenha permanecido tão querido na memória da Rede Contato.

Ted Brennand e Gilda Avelarm apresentadores do Surpreendente em 1987.

Do entretenimento ao jornalismo investigativo

Com o passar dos anos, o Surpreendente também ganhou força no jornalismo.
A partir dos anos 1990, as grandes reportagens e investigações passaram a ocupar espaço cada vez maior na revista, consolidando o programa como uma das principais vitrines jornalísticas da Rede Contato.
Casos policiais, denúncias, comportamento, ciência, histórias humanas e acontecimentos inexplicáveis passaram a dividir espaço com música, cultura, celebridades e entretenimento.
Foi nessa fase que surgiu um dos bordões mais conhecidos do programa:
“Você viu. Agora, tire suas próprias conclusões.”

Um domingo sem Surpreendente não era a mesma coisa
Durante décadas, o programa se transformou em uma espécie de ritual de domingo.
Por ser tradicionalmente o penúltimo programa da noite da Rede Contato, sua chegada anunciava que uma nova semana estava prestes a começar.
Ao longo de sua história, recebeu importantes prêmios da televisão brasileira, acumulou sucessivos períodos de liderança de audiência e tornou-se uma das atrações mais reconhecidas da emissora.
E talvez essa seja a maior conquista do Surpreendente:
ele conseguiu envelhecer sem ficar velho.
Mudaram os apresentadores.
Mudaram os cenários.
Mudaram as tecnologias.
Mudou a televisão.
Mas a essência permaneceu.

Gina Bragança e Clóvis Saldanha, apresentadores do Surpreendente em 1992.

E o Surpreendente continua…
Hoje, aos domingos, das 21h às 23h, o Surpreendente continua ocupando seu lugar na programação da Rede Contato.
Informação, investigação, música, histórias extraordinárias, cultura, celebridades e entretenimento continuam dividindo espaço em uma revista eletrônica que se recusa a ser previsível.
Porque depois de mais de cinco décadas, uma coisa continua absolutamente certa:
Se é domingo, tem Surpreendente.
E se é Surpreendente… pode esperar qualquer coisa!

SURPREENDENTE — A SUA REVISTA ELETRÔNICA
Desde 1972, levando ao público aquilo que a televisão tem de melhor: histórias que ninguém espera contar.
Juca Tijuca esteve na direção durante 25 anos, substituído por Marcos Coimbra em 1997, que foi substituído por Saulo Gulart em 2013.

Estreia: 16 de abril de 1972
Exibição: domingos, das 20h às 22h
Gênero: revista eletrônica, jornalismo e entretenimento